| Adilson Ventura |
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| Dom, 02 de Outubro de 2011 17:20 | |||
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No dia 04 de outubro de 2010, o movimento associativista brasileiro perdia uma das mais importantes figuras das políticas de inclusão das pessoas com deficiência. Filho de Florianópolis, Adilson Ventura se notabiliza pelos seus 40 anos de trabalhos prestados para a educação especial. Vindo de família humilde, composta de onze filhos, nasceu em 19 de dezembro De 1939 e Perdeu a visão aos 14 anos. Foi o primeiro cego do nosso estado formado no ensino superior, indicado como uma das dez pessoas cegas mais eminentes da União Mundial de Cegos – UMC. Sua infância ocorreu na então pacata cidade de poucos carros, onde a pesca, a leitura e o amor pelo rádio eram os principais atrativos. Quando criança, adorava observar o céu estrelado, deitado sobre os verdes da Rua Padre Roma e guardava já na fase adulta a imagem do horizonte da Baía sul, na direção do morro do Cambirela. Infelizmente o destino traçava no ilhéu uma cegueira irreversível. Perdia-se a rotina da infância e batia-lhe à porta a clausura da vida social, realidade de muitos cegos. O rádio, melhor companheiro, era o passa tempo do botafoguense que tinha como inspiração o futebol arte de Milton Santos e Garrincha. Um dos fatos curiosos ocorreu na tarde do dia 24 de dezembro de 1954. Botafogo e Fluminense jogavam a final do campeonato carioca. Na época a energia era racionada e Adilson teria a infelicidade de não poder acompanhar toda a narração. Um vizinho chamado Henrique lhe informou que o Botafogo ganhava do Fluminense pelo placar de 3 X 1. Ele não lhe deu crédito por este ser vascaíno e para surpresa do ilhéu a energia voltou e o resultado se confirmava: Botafogo campeão carioca. À medida que os anos passavam, ficava cada vez mais afastado de todos, não havia mais convivência com parentes e amigos. Chegava ao limite de se esconder ou fingir que dormia na chegada de visitas. Porém existia um lugar especial para o frágil ilhéu concentrar suas energias e renovar as esperanças que a vida lhe tomara. O pé de Baguaçu nos fundos da casa era o local onde por muitas vezes ele buscava a paz interior. Felizmente, Deus na sua plenitude iluminava a vida de Adilson Ventura e depois de dez anos de clausura obteve acesso ao Sistema de escrita e leitura Braille através de Luiz Carlos Nunes D’Angelo, no ano de 1963. O jovem cego formado em Direito, desempenhava atividades no SESC de Florianópolis e percebeu em Adilson potencialidades que poderiam ser aprimoradas. Não sabia ele que estava diante de um sujeito predestinado a muitas conquistas, líder das principais entidades de pessoas com deficiência da América Latina. No período de 15 dias Adilson aprendeu Braille e ainda sob influência de D’Angelo ingressou ao mercado de trabalho na histórica fábrica de bordados Hoepeck. Prestou vestibular para o curso de pedagogia no ano de 1967 e ficou entre os dez melhores colocado na faculdade de educação. O diretor da fábrica Hoepeck, Dr. José Matusalen Comelle, saldou Adilson pelo desempenho no vestibular e ao saber das dificuldades que ele enfrentava para estudar lhe encaminhou para uma audiência com o secretário da educação do estado, Professor Galileu Craveiro Amorin. Iniciava-se nesta etapa a projeção de Adilson Ventura no atendimento as pessoas com deficiência visual de Santa Catarina. Ao receber o primeiro cego matriculado em um curso de graduação, Amorin acatou pedido de Adilson para desenvolver um trabalho em favor das pessoas cegas do estado e o contratou para o cargo de 20 horas junto a secretaria. Após sua admissão, o futuro especialista na área da educação especial começava a fazer diversas palestras nas escolas públicas da região de Florianópolis e com ajuda do amigo D’Angelo trabalhou na tentativa de montar uma biblioteca Braille. Também destaco a primeira viagem feita por ele ao II Congresso Nacional de Deficientes Visuais realizado na cidade de Brasília pela Fundação do Livro do Cego no Brasil - FLCB. No dia 10 de novembro de 1969 o mais novo desbravador das políticas de inclusão faria sua primeira viagem sozinho, onde conheceria expressivas figuras das pessoas cegas como: Dorina de Gouvêa Nowill. Os anos 70 seriam os mais promissores na sua vida profissional e com apoio das secretarias de educação do estado e município instalou no prédio do mercado público um serviço em tempo integral no atendimento de deficientes visuais. Neste espaço ministrava-se aulas de alfabetização Braille, orientação, mobilidade e artesanato. Deste modo criava-se, mesmo em condições precárias, a primeira estrutura de um núcleo de reabilitação para deficientes visuais no estado, futuro Centro de
Desenvolvimento Humano
IV – CDH da Fundação Catarinense de Educação Especial – FCEE. A vontade de alcançar novos objetivos trouxe ao professor Adilson a ideia de criar uma organização de e para cego, a Associação Catarinense Para Integração do Cego – ACIC. No dia 18 de junho de 1977 era realizada a assembléia de fundação da ACIC, entidade que passaria a desenvolver importante papel na vida das pessoas cegas vindas de diferentes regiões do país e do mundo. Nas três décadas que presidiu a ACIC, Adilson enfrentou retaliações e problemas de locação, pois não havia uma sede própria. No ano de 1986 coordenou e passou a estruturar o Centro de Reabilitação Profissionalização e Convivência CRPC no qual atende hoje crianças, jovens e idosos na formação cultural, profissional e pedagógica. Na condição de associado e ex -aluno, fico deslumbrado com o complexo de 6 mil metros quadrados de área construída reconhecida como uma das entidades que possui um dos mais modernos centros de reabilitação do país. Confesso que se hoje estou inserido na sociedade devo ao legado de Adilson Ventura e de seus profissionais. Não posso esquecer certa ocasião quando confessei a ele minha falta de coragem de não aceitar uma indicação para participar da primeira comissão de jovens cegos do Brasil. Ele respondeu: "Medo se vence com desafios”. Jornalista: Josué Leandro
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